27 anos de design me ensinaram uma coisa sobre web premium.

Não é o número de elementos na página. Não é o quanto a animação é dramática. É a quantidade de decisões removidas sem perder o argumento.

O paradoxo do premium digital

Tenho 27 anos atuando com design e comunicação visual. Comecei no impresso, em 1999, na AJA Publicidade aqui em Campinas. Já fiz logotipo, identidade visual, anúncio de jornal, painel de evento, embalagem, brochura, catálogo, sinalização, site institucional, landing page, peça de tráfego pago.

Em todos esses formatos, eu vi a mesma coisa acontecer com clientes que queriam "algo premium": eles pediam para acrescentar.

Mais cor. Mais ícones. Mais elementos gráficos. Mais informação na página. Mais frase. Mais botão. Mais foto. Mais animação.

E em todos esses formatos, a versão que de fato comunicava premium era a versão de onde mais coisa tinha sido tirada.

A regra silenciosa do luxo corporativo

Marcas premium não competem por atenção visual. Elas competem por certeza. O cliente premium não quer ser deslumbrado — quer ser convencido. E ele se convence quando o que vê é organizado, claro e suficiente.

Sofisticação está no que foi removido sem perder o argumento.

A primeira vez que entendi isso de verdade não foi na faculdade. Foi olhando um catálogo de Apple impresso, há uns 20 anos, no ponto de venda de uma rede de varejo. Cinco produtos por página. Um título por produto. Três linhas de copy. Foto em fundo branco. Margem generosa. Eu peguei aquele catálogo, virei pra um colega e disse: "isso aqui está pedindo desconto, mas vai ganhar margem cheia."

Aquela página tinha menos elementos que qualquer concorrente. Por isso ela podia cobrar mais.

O que isso vira em web premium

Quando levo essa ideia pra web, o resultado é prático:

  • Um CTA por seção, não três. Decisão se constrói por foco, não por opção.
  • Uma fonte principal, no máximo duas. Tipografia faz hierarquia, não personalidade.
  • Uma cor de marca, mais neutras. O acento aparece quando tudo o resto é silêncio.
  • Uma promessa por página. Se você precisa explicar duas coisas, separa em duas páginas.
  • Nenhuma imagem que não tenha função argumentativa. Foto bonita sem razão é ruído.

E o mais difícil: nenhuma animação que não conduza a leitura. Animação por gosto é Active Theory. Animação por argumento é Stripe.

A pergunta que eu faço em cada projeto

Antes de cada decisão estética nova num projeto, eu pergunto duas coisas:

  1. Isso ajuda o visitante a decidir mais rápido?
  2. Se eu tirar isso, o argumento principal sofre?

Se a primeira é "não" e a segunda é "não", a coisa sai.

É uma régua dura, e ela me custa cliente — porque tem cliente que quer ver mais elementos na página pra "valer o que pagou". Mas é a régua que separa o site que parece premium do site que se comporta como premium depois de publicado.

E premium não é o que parece. É o que aguenta o teste do tempo.

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